O Problema de Definição
Richard Hamming abre o Capítulo 25 com uma confissão: ele não consegue definir criatividade. Ele sabe o que é quando vê, mas a palavra se recusa a uma definição precisa.
Ele distingue três termos que as pessoas costumam confundir:
Criatividade: produzir algo realmente novo que tenha valor - o mais difícil de definir.
Novidade: diferente do que existe, mas nem sempre valioso. Um passeio aleatório produz novidade.
Originalidade: originária de uma única fonte sem ser copiada.
Seu exemplo da moda: criativo significa diferente, mas não muito diferente. Um vestido dez anos à frente do seu tempo não é criativo em termos de moda - não venderá. Um vestido exatamente como da temporada passada não é criativo também. O ato criativo está em uma faixa estreita.
Ele então dá um exemplo técnico mais agudo: quando ele aplicou o método de mínimos quadrados a um problema em magnética, um colega escreveu. Um físico astuto amigo disse a Hamming: seu próprio trabalho mais solicitado foi um artigo que aplicou análise de circuitos padrão à física de estado sólido. Parece que a criatividade é em parte sobre distância psicológica - juntar coisas que não foram percebidas como relacionadas antes.
Sua definição tentativa: a criatividade é utilmente combinar coisas que não eram percebidas como relacionadas antes. A distância psicológica entre os domínios pode contar mais do que o ato em si.
Criatividade vs Novidade
Hamming faz uma pergunta direta sobre um programa de teorema de geometria de sua época: a criatividade estava no programa ou nas pessoas que o escreveram?
Essa pergunta não tem resposta clara. Mas força uma distinção: o programa produziu novidade (novos provas). Se isso constitui criatividade depende se você localiza o ato gerativo na execução do programa ou nas humanos que desenharam o mecanismo gerativo.
Derivação continental e Mendel: criatividade ignorada
Hamming usa dois casos históricos para fazer um ponto triste: mesmo na ciência, a criatividade vai despercebida quando ocorre.
Derivação continental: Thomas Dick mencionou em 1838. Alfred Wegener publicou um livro sobre isso no início do século XX. Não foi aceito em círculos oficiais até depois da Segunda Guerra Mundial - e então apenas depois que oceanógrafos encontraram rochas magnéticas na parte de baixo do oceano que forneceram o mecanismo perdido. Wegener, que teve a intuição criativa, não viveu para ver a retificação.
Genética de Mendel: Gregor Mendel concluiu seus experimentos com ervilhas na década de 1860. Seu artigo ficou ignorado até 1900, quando três pesquisadores descobriram independentemente a genética - e então encontraram o artigo anterior de Mendel. Mendel agora recebe crédito público. Mas por décadas, seu trabalho criativo foi invisível.
A lição de Hamming: a ciência, como a arte, falha regularmente em reconhecer a criatividade quando ela acontece. A ação criativa e o reconhecimento da ação criativa são eventos separados, às vezes separados por décadas.
A brecha de reconhecimento
Os casos de Wegener e Mendel compartilham um padrão: a intuição criativa existia em uma pessoa, mas a aceitação institucional exigia ou um mechanismo (geólogos exigiam uma explicação física para o deslocamento) ou redescoberta (Mendel precisava de confirmação independente).
Sericidade, Gestação & a Mente Pronta
Hamming descreve a trajetória típica de um ato criativo:
1. Reconhecimento: uma sensação vaga de que existe um problema — frequentemente não ainda bem formulado.
2. Refinamento: uma fase perigosa — mover-se muito rapidamente aqui pode levar a que o problema caia em sua forma convencional, encontrando apenas a solução convencional. A envolvência emocional é importante: sem um compromisso profundo em encontrar uma solução real, você não vai.
3. Gestação: pensamento intenso, seguido às vezes por abandono temporário. Hamming: a perseguição monomaníaca frequentemente não funciona; o abandono temporário da ideia às vezes parece ser essencial para permitir que a consciência encontre uma nova abordagem.
4. Luz de Relâmpago: o momento em que você vê — frequentemente durante o período de abandono, não durante o foco intenso.
O famoso statement de Pasteur se aplica aqui: 'A sorte favorece a mente preparada.' Hamming trata isso seriamente. Uma mente preparada tem mais conexões entre domínios, caminhos mais curtos entre idéias distantes, mais ganchos em que uma nova técnica pode pegar.
Sua prática: manter 10-12 dos problemas mais importantes ativamente na mente. Quando uma nova técnica aparece — um artigo, uma conversa, uma ferramenta — pergunte imediatamente: Isso resolve algum dos meus 10 problemas? Uma mente que não mantém essa lista não pode fazer essa pergunta.
A Técnica dos 10 Problemas
A técnica de Hamming é específica: uma lista de 10-12 dos problemas mais difíceis e importantes de sua área, mantida viva na parte de trás da sua mente ao longo de anos.
Aplicar a Técnica
O próprio trabalho criativo, para Hamming, segue da preparação. A mente preparada também envolve envolvimento emocional: você deve se importar o suficiente com os problemas para se comprometer em encontrar soluções, não apenas em saber sobre eles.